O que pode prejudicar a nutrição enteral? 

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Existem algumas barreiras que podem prejudicar a oferta nutricional enteral de modo geral. A depleção nutricional é frequente e se tornou um dos maiores problemas para pacientes hospitalizados em unidades de terapia intensiva (UTI) com uma prevalência de desnutrição de cerca de 50% nos internados em UTI, sendo que mais de 35% dos pacientes já são admitidos nessa condição.

A terapia de nutrição enteral (TNE) é fundamental para pacientes internados. Ela é a primeira opção quando a alimentação não for possível por via oral, desde que não haja contraindicação absoluta a sua utilização. O início precoce da TNE, de 24 a 48 horas após admissão, é recomendado, sendo que o alcance das necessidades energéticas deverá acontecer em 48 a 72 horas após inicio da dieta.

A importância da adequação nutricional

Apesar dos vários benefícios do uso da nutrição enteral, nem todos os pacientes admitidos na UTI recebem toda a nutrição prescrita, visto que há diversas barreiras que levam à interrupção da oferta nutricional planejada. Dentre essas intercorrências estão o atraso na administração da dieta, as disfunções gastrointestinais, os problemas relacionados à sonda nasoenteral (SNE), o jejum para a realização de procedimentos e exames e a instabilidade clínica do paciente. Essas situações, somadas a uma oferta nutricional inadequada, podem contribuir significativamente para a incidência de desnutrição calórico proteica em internados na UTI. Por isso, a adequação nutricional representa um grande desafio no tratamento do paciente crítico.

Quando falamos em adequação nutricional, pesquisadores constataram que, em média, 21% dos pacientes recebem volume de dieta e quantidade de proteína inferior a 70% do prescrito. Pesquisa recente propõe administrar uma dieta com base no volume total que deverá ser ofertado em 24h e alterar a velocidade de infusão conforme as interrupções do dia, a fim de maximizar a oferta nutricional.

Os fatores mais citados na literatura, que interferem na oferta nutricional são: o predomínio do jejum para procedimentos, exames e disfunções gastrointestinais. A alta frequência das citadas disfunções pode ser explicada pela grande quantidade de medicamentos que alteram a função normal do trato alimentar (como opióides), além do predomínio do decúbito dorsal na maioria dos pacientes, o que favorece vômitos e regurgitações. Esses motivos podem aumentar a incidência de desnutrição em pacientes críticos.

O conhecimento científico pode ajudar a implementar protocolos nas UTIs, otimizando assim as ofertas nutricionais durante o período de internação.

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