O problema da alimentação na pandemia

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A alimentação se tornou uma questão a ser observada e enfrentada na pandemia COVID-19, seja pela falta dela (a crise econômica e social impactaram a todos) ou pelo excesso e consumo de alimentos ruins para a saúde. Desde que a pandemia foi estabelecida pela Organização Mundial da Saúde – OMS, a sociedade enfrenta mudanças profundas em diversos aspectos, sejam eles econômicos, sociais e/ou de saúde geral. Ainda sem um prazo para terminar, a pandemia deve continuar a impactar profundamente a todos, apresentando desafios comportamentais e de estrutura que afetam a alimentação, nosso foco hoje.

Em uma breve contextualização, os desafios apresentados pela pandemia da COVID-19 são inúmeros e impactam a população de formas diversas, com cada país lidando com a situação de formas diferentes, às vezes desencontradas. Tanto adultos como crianças e adolescentes estão lidando, como podem, à perda de parentes e amigos, escolas fechadas, desemprego, problemas de saúde físicos e mentais e até a volta, no caso do Brasil, da fome e miséria.

Nesse contexto desafiador, a alimentação tem se tornado até mesmo um problema, com diversas camadas a serem observadas. Focaremos em um aspecto que irá impactar resultados de saúde pública em um futuro não muito distante.

Alimentação como um vilão para a saúde

Alimentação desregrada é um problema, seja pelo excesso, descontrole nutricional ou pela falta. Durante a pandemia, houve o crescimento do conhecido Home Office. Com isso, homens e mulheres que passaram a usufruir desse modelo de trabalho acumularam atividades extras. Afinal, com filhos fora da escola, mais o trabalho doméstico (dois aspectos que impactam mais as mulheres), muita coisa muda. A saúde física e mental passou a ser desafiada, refletindo na alimentação e mudando hábitos.

Essa mudança no padrão alimentar, associado a uma eventual inatividade física, vem mostrando crescimento em números de pessoas com obesidade, tanto em adultos quanto em crianças. Para se ter uma noção, só na pandemia, foi identificado por pesquisadores um ganho médio de 6,5Kg durante o período de isolamento social. Estudos apontam como causa o aumento em 37% no consumo de açúcar, 24% na ingestão de bebida alcoólica e 20% no consumo de Fast Food, só entre os brasileiros. Esses fatos, por si só, impactam no futuro desta geração, pois a obesidade traz consigo diversos problemas no curto prazo, como o aparecimento de alterações no ritmo intestinal, obstipação e episódios de diarreia isoladas relacionadas à ansiedade, estresse e depressão. Isso, sem contar o que pode ocorrer no longo prazo, com o aparecimento de doenças cardíacas, diabetes, doença renal e outras várias.

Antes da pandemia, a maioria das pessoas já apresentavam um padrão geral alimentar irregular e inadequado em relação à quantidade de macro e micronutrientes ingeridos. Conforme a pesquisa de orçamento familiar, realizada pelo Ministério da Saúde – MS, o padrão alimentar prévio à pandemia não supria nem a metade das necessidades de frutas e verduras, de 400g/dia e recomendado pela Organização Mundial de Saúde – OMS. Portanto, além do aumento da fome, provocado pelo estresse econômico e social gerado pela pandemia, as pessoas têm se alimentado pior (quando podem comer regularmente) nesses tempos de COVID-19.

A busca por um nutriente mágico que fortaleça o sistema imunológico é infundada. Sabemos que não existe apenas um nutriente isolado que vá melhorar a resposta imune dos indivíduos, mas sim um conjunto de nutrientes e eventual restrição de outros. A modificação do padrão alimentar deve ocorrer de forma gradual e permanecer mais constante, visando uma saúde regular e prolongada. Só assim o corpo consegue, no longo prazo, melhorar sua defesa contra infecções e doenças. Para finalizar, jamais deixe de se vacinar contra doenças, especialmente a COVID-19.

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