Imunonutrição no paciente com câncer

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Pesquisas demonstram que a imunonutrição pode exercer efeitos positivos em pacientes com câncer, ajudando a reduzir a desnutrição (problema encontrado em 60% a 80% dos pacientes oncológicos). Nutrientes imunomoduladores, como arginina, ácidos graxos ômega-3 e nucleotídeos exercem efeitos sobre o sistema imunológico e na resposta inflamatória desses pacientes. Assim, as dietas imunomoduladoras aproveitam a ação conjunta desses nutrientes para auxiliar no tratamento de pacientes com desnutrição, ou caquexia, devido ao câncer.

O que é imunonutrição?

A imunonutrição tem sido proposta como estratégia para redução do risco de complicações em pacientes oncológicos cirúrgicos há mais de 25 anos. Os melhores resultados apontam para a utilização da combinação de determinados nutrientes, como a arginina, os nucleotídeos e o ômega 3, sendo o sinergismo destes imunomoduladores crucial para a eficácia da Terapia Nutricional, sobretudo nos pacientes desnutridos, ou em risco nutricional. A utilização simultânea de Zinco, Vitaminas A, E e C, Selênio e Glutamina, aos nutrientes acima descritos, também é recomendada. 

O objetivo da utilização da Imunonutrição é garantir a oferta de nutrientes imunomoduladores aos pacientes que serão submetidos a cirurgias de grande porte, visando uma melhor resposta metabólica ao estresse e cicatrização, manutenção da barreira intestinal como órgão de defesa, redução das taxas de infecção, tempo de permanência hospitalar e, consequentemente, a redução de custos.

Quando recomendar a imunonutrição?

Sabe-se que as cirurgias em geral afetam o estado nutricional, sobretudo em pacientes com risco nutricional, ou já desnutrido. Além da resposta endócrino-metabólica ao trauma cirúrgico, outros fatores como jejum prolongado, infecções, comorbidades e realimentação tardia contribuem para o desequilíbrio entre ingestão alimentar e necessidades nutricionais.

O estresse cirúrgico é também associado com exacerbação de estados inflamatórios, prejuízos na imunidade, estresse oxidativo, resistência à insulina e exposição dos pacientes a risco de infecções subsequentes, todos estes podendo influenciar negativamente o estado nutricional do paciente.

A desnutrição prévia e o estresse do paciente em resposta ao trauma cirúrgico estão entre os mais importantes fatores que impactam negativamente sobre os desfechos clínicos. Indivíduos desnutridos têm de duas a três vezes mais chance de desenvolver complicações cirúrgicas. Naqueles bem nutridos, este risco pode ser bastante reduzido.

Qual a ação dos imunonutrientes?

Os imunonutrientes não possuem ação imediata. Seus efeitos precisam de uma semana ou mais para realmente serem demonstrados. Dentre os benefícios encontrados na utilização dos imunonutrintentes, encontramos a melhora na resposta imunológica, melhora na síntese proteica (auxiliando na cicatrização), diminuição na produção de citocinas pró-inflamatória, atuação nos enterócitos, dentre outros.

A dieta enteral contendo imunonutrientes deve ser ofertada ao paciente crítico assim que ele tiver condições de recebê-la; ou seja, o mais cedo possível, a fim de que os efeitos sobre o sistema imunológico possam ser prontamente alcançados, com a diminuição das taxas de complicações infecciosas e permanência hospitalar.

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