Estratégia nutricional no combate a Fraqueza Adquirida na UTI

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Uma estratégia nutricional se torna imprescindível na recuperação dos pacientes que apresentam Fraqueza Adquirida na UTI – FAUTI. Para entender como a alimentação impacta nessa recuperação, precisamos entender o que é FAUTI.

FAUTI

Em torno de 20% a 70% dos pacientes que ingressam na Unidade de Terapia Intensiva – UTI apresentam FAUTI. Essa variação é decorrente do status nutricional prévio a admissão na UTI e a equipe médica deve considerar além da quantidade de massa magra pré-existentes, as comorbidades do paciente. O estado nutricional anterior à admissão é determinante no desfecho do paciente, tanto em relação ao tempo de internação quanto a sobrevida e tempo de utilização de ventilação mecânica desse paciente. 

Devido ao grande catabolismo que os pacientes de UTI estão expostos, a perda de massa muscular já é prevista. Essa fraqueza é causada principalmente pelo longo tempo de permanência na UTI, assim como pelo tempo de ventilação mecânica, estado inflamatório, resistência anabólica imposta ao paciente, estado catabólico que o indivíduo se encontra e pela inadequação calórica e proteica apresentada. Isso porque a massa magra é um órgão imune endócrino que tem impacto tanto no desfecho funcional do paciente, como na sobrevida do mesmo. Portanto, a perda de funcionalidade e quantidade proteica no paciente caracteriza a FAUTI.

Estratégias nutricionais no domicílio no combate a FAUTI

Quanto maior for a perda de massa muscular na UTI, maior serão as complicações clínicas e pior será o desfecho do paciente. Dentre essas complicações, podemos elencar a redução da imunidade, aumento de infecções, redução da cicatrização de feridas, aumento de fraqueza muscular, pneumonia, sobrevida e mortalidade.

A nutrição na assistência domiciliar para a recuperação do paciente é muito importante, principalmente quando falamos nas metas calóricas e proteicas. As metas proteicas utilizadas na assistência domiciliar devem ser muito mais agressivas (2,0 – 2,5g/kg/dia) quando comparadas às metas proteicas utilizadas na hospitalização. Essa conduta visa a recuperação do paciente em domicílio e diminui a sua readmissão na unidade hospitalar.

Em relação a meta calórica, essa também deve ser agressiva, em torno de 35kcal/kg/dia, sempre guiada pela individualidade do paciente, utilizando parâmetros antropométricos para se conseguir mais efetividade nessa recuperação. 

Alimentação enteral

Complementar a alimentação do paciente pode ajudar em sua recuperação. Se o paciente vai para casa em regime de alimentação enteral, muitas vezes a tolerabilidade da fórmula nutricional vai corroborar com a inadequação nutricional, principalmente proteica. A fórmula deve apresentar boa tolerabilidade, isso relacionado a qualidade proteica. 

As fórmulas nutricionais que apresentam em sua composição proteínas de origem animal e vegetal apresentam um esvaziamento gástrico mais acelerado e uma melhor tolerância quando comparadas às fórmulas que contenham como fonte proteica a caseína.

Outro elemento muito importante na composição da fórmula enteral é o Óleo de Peixe. O Ômega-3 que é elemento chave na modulação da proteólise. Por uma questão inflamatória, a presença do ômega-3 como fonte lipídica é essencial na redução do catabolismo proteico.

Suplementação oral

O paciente que realizou a jornada na UTI é um grande candidato a suplementação oral domiciliar e precisa mantê-la para ter efetividade e assim melhorar a reabilitação nutricional. Essa suplementação deve ser mantida por no mínimo 30 dias, tendo como ideal 12 semanas. 

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